quarta-feira, 13 de abril de 2011

Literatura nas aulas de língua inglesa

É indiscutível a influência da literatura de expressão inglesa (principalmete Inglaterra e Estados Unidos) sobre a literatura e cultura em geral, em todo o mundo. Autores de diversos lugares e gerações de diferentes épocas foram e são influenciados por ela.A exemplo disso temos Shakespeare, Byron e Defoe nos séculos passados e J.K Rowlling e Stephenie Meyer na atualidade (não discutirei aqui a qualidade literária dessas últimas, apenas quero ressaltar a importância que têm no cenário literário mundial).
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Apesar de toda essa importância, a literatura de expressão inglesa tem sido negligenciada nas escolas brasileiras, quer na rede pública, quer na rede particular. Nas aulas de língua portuguesa, no Ensino Fundamental II ainda é possível ler alguma obra, mas sem um devido aprofundamento sobre autor, estilo, contexto histórico ou impacto da obra na época. No ensino médio é totalmente esquecida, visto que o importante é focar na literatura brasileira/portuguesa.
Que dirá, então, das aulas de língua inglesa, onde a carga horária é escassa e o foco está na gramática/conversação, não sendo, sequer, mencionada nos conteudos programáticos.
Não discuto o fato de que devemos valorizar nossa literatura/cultura, mas também é importante que nossos alunos saibam o que acontece fora dos nossos limites.
Resolvi escrever esse tema após ser indagado por uma concluinte do curso de letras, estagiária em uma das escolas que leciono.


Como professor de língua estrangeira, sempre reservei um tempo de minhas aulas para trabalhar a literatura inglesa - e norte-americana - pois creio que ensinar uma língua não limita-se apenas ao vocabulário, gramática, usos da língua. Creio que o ensino de língua envolve também costumes, cultura e a literatura está inserida nisso. Obviamente, nas séries iniciais do Ensino Fundamental II (mormente na rede pública) os alunos ainda não possuem repertório linguístico para que se leia a obra em seu idioma vernáculo - é necessária a tradução/adaptação para o português. Isso, porém, não tira o mérito da atividade, pois, além de entrar em contato com o mundo da leitura, literatura, estará aprendendo um pouco mais sobre os costumes do país, visão de mundo, maneira de pensar e de agir de uma sociedade.


Outro motivo por que considero importante trabalhar literatura inglesa nas aulas é minha concepção (e de muitos outros educadores) de que a leitura não deve ser restrita às aulas de língua materna, mas sim, uma responsabilidade de todas a disciplinas - cada um trabalhando com seu viés pertinente.
Logicamente a atividade requer, não apenas mera leitura - o professor deve privilegiar outros espaços que não a sala de aula, como Biblioteca, sala de leitura, pátio, jardim etc. Não é bom, também, que a avaliação restrinja-se a uma prova escrita; diversas são as atividades que podem ser desenvolvidas - painéis, ilustrações, quadrinhos, reescritas e releituras, livros, peças teatrais e curta-metragens, entre outras.
Na minha experiência como professor de inglês na rede municipal de São Roque -Sp, atesto que é gratificante e significativo para alunos e docentes. Já produzimos algumas peças e curtas de Shakespeare, Wilde e Mark Twain. Também uma infinidade de livros de reescrita/ilustração, painéis e quadrinos já foram produzidos. Alunos que já não são meus até hoje, quando me vêem, recordam-se de nossas atividades ligadas à leitura.
Não posso deixar de ressaltar aqui a ajuda fundamental da auxiliar de Biblioteca, professoras de arte, português e história.
Lógico que muitas barreiras precisam ser derrubadas - escassez de recursos, resistência inicial dos alunos, exigua carga horária, dar conta do planejamento, entre outras, mas, com certeza é uma experiência mais do que boa.

OBS.: Nas fotos, momentos de leitura na EJA e produção teatral na 7a série do Ensino Fundamental (Sonho de uma noite de verão).

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